Presidente da CTB-RJ convoca para ato contra aumento das passagens nos trens

Presidente da CTB-RJ convoca para ato contra aumento das passagens nos trens

O Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro publicou no dia 30 de novembro de 2010 que o então governador Sérgio Cabral, renovava por mais 25 anos a concessão da SUPERVIA para explorar a malha urbana ferroviária. Com a renovação, o contrato passaria a valer até 2048.

O serviço que foi privatizado no ano de 1998 nunca apresentou plenamente aos usuários o que foi estabelecido no contrato original. O serviço ao longo dos anos piorou na sua qualidade enquanto o preço das tarifas subiu em patamares absurdos. Fato curioso para aqueles que apregoam a livre concorrência no mercado é que no contrato assinado em 1998 existia uma cláusula que permitia que se renovasse a concessão sem concorrência, sob a condição de a empresa apresentar um plano de investimentos até um ano e meio antes do fim do contrato.

Com a renovação” o novo contrato passa a valer somente no dia 31 de outubro de 2023 e por essa concessão por mais 25 anos pela frente, a SUPERVIA se compromete a aplicar R$ 1,2 bilhão nos trens.

Neste momento que se discute o aumento das tarifas temos sim que questionar mais uma vez por que o ônus da crise fabricada tem que ser jogada nas costas dos usuários, da classe trabalhadora. E também nos mobilizar para derrubar esse aumento.
No ano passado, em meio a pandemia, sem nenhuma preocupação social, a SUPERVIA aumentou a tarifa enquanto no Rio de Janeiro o desemprego crescia, milhares de trabalhadores e trabalhadoras tinham seus salários congelados ou reduzidos pelas medidas provisórias impostas pelo governo negacionista de Bolsonaro.

Segundo levantamentos na época pelo Idec verificou-se que os aumentos tarifários da SUPERVIA haviam ocorrido em patamares acima da inflação desde a concessão dos serviços em 1998. Para Kelly Fernandes, especialista em Mobilidade Urbana do IDEC, EM texto divulgado na época “significa que o interesse privado tem sido sobreposto aos da população, evidenciando o descompasso da política tarifária praticada pelo governo estadual e a realidade  socioeconômica da população.”

O fato concreto é que a classe trabalhadora não suporta mais o aumento do custo de vida. Além do governo Bolsonaro levar o Brasil novamente ao mapa da fome, da miséria, o custo dos alimentos, dos transportes, dos remédios está insuportável. Mais de 120 milhões de brasileiros estão sem segurança alimentar. Mais de 20 milhões de brasileiros passam fome. Desemprego, desalento, precarização, tudo leva a pesar no bolso. Então, não tem como não ser contra mais esse aumento de passagem nos trens para 7 reais.

Exigimos que a ALERJ abra uma um questionamento sobre estas decisões governamentais respaldadas pela AGETRANSP. Essa agência não tem mais capacidade de fiscalizar os serviços públicos concedidos à iniciativa privada.

A CTB assina junto com a Defensoria Pública Estadual através do Núcleo de Defesa do Consumidor e diversas entidades e movimentos sociais oficio endereçado ao governo estadual e a AGETRANSP solicitação para que se envidem todos os esforços necessários para a não aplicação do reajuste autorizado na tarifa do transporte de trem urbano, para se atentar ao momento de excepcionalidade e realidade social-financeira enfrentada pelos milhões de usuários do referido serviço de transporte, bem como o princípio da modicidade tarifária. A CTB não descarta nem mesmo a possibilidade de ajuizar ação na justiça para barrar esse aumento absurdo. Se aplicado, o reajuste será de 40%, passando a tarifa dos atuais R$ 5 para R$ 7.

Convocamos a militância cetebista a ir para as ruas pra barrar esse aumento. Dia 25 de janeiro as 16hs na Central do Brasil nossas bandeiras mais uma vez vão estar presente. Recomendamos as precauções necessárias, álcool em gel, distanciamento e principalmente máscara.

Com mais esse aumento no orçamento das famílias imposto por Claudio Castro, o governo estadual assume definitivamente seu perfil anti povo. Não há preocupação social neste governo. A privatização da Cedae, a necro política de segurança, o desemprego são exemplos que revelam o lado do governador.

Diversas categorias representadas pela CTB RJ se movimentam pelos transportes coletivos, principalmente trens, todos os dias. É preciso debater esse assunto com a base, conscientizar a classe trabalhadora que transporte de qualidade, serviços regulares, tarifas módicas, influenciam na qualidade de vida, principalmente por conta do ir e vir de casa para o trabalho e vice versa. Por isso, dia 25 de janeiro é dia de luta.

Paulo Sérgio Farias

Presidente da CTB-RJ

Leia também...

Qual a sua opinião?

Seu e-mail não será publicado. Os campos com * são obrigatórios.