Protesto antirracista é convocado para amanhã (16), na Praça XV

Protesto antirracista é convocado para amanhã (16), na Praça XV

VIDAS NEGRAS IMPORTAM, PAREM DE NOS MATAR!

O Racismo é uma ideologia de dominação e superexploração dos povos de descendência africana desde o século XVI, seja em ÁFRICA ou nos países que formam a diáspora. O sistema capitalista, desde sua formação, se nutre da força de trabalho Negra.  Após a abolição da escravatura no Brasil, a vinda dos imigrantes Europeus só contribuiu com o projeto de branqueamento do nosso povo e com a expansão do exército de reserva da recém montada indústria capitalista Brasileira. Sem indenização, sem estudo, sem emprego e sem perspectiva, fomos “integrados” a um projeto nacional que nos deixou à parte do processo de desenvolvimento do Brasil.

O racismo estrutural atinge o corpo e a alma da população negra, de modo que a realidade que nos é imposta na atualidade tem ultrapassado a linha da opressão e da superexploração. Somos vítimas de um racismo epistemológico, onde nossas referências filosóficas e tecnológicas são destruídas, nossa vastidão de dialetos, línguas e sinais nos são tirados, nossa alimentação foi ressignificada e nossas divindades denominadas!

Os dados referentes ao número de homicídios no país são o demonstrativo do Genocídio que tem como alvo as populações Indígenas e em especial Negras.

Toda semana uma notícia diferente: “Terreiro em Nova Iguaçu foi atacado!”; “Casa em São Gonçalo é alvejada com mais de 70 tiros. João Pedro assassinado pela polícia!”.

Está em curso um genocídio e nós somos os alvos.

A pandemia, a crise econômica e a guerra às drogas formam o cenário de horror correspondente aos interesses das elites mundiais. 

Somos os que mais morrem por COVID-19.

Uma análise da Agência pública mostrou que há uma morte para cada três brasileiros negros hospitalizados por Covid-19, enquanto entre brancos a proporção é de uma morte a cada 4,4 internações.

Sabemos que o Governo Bolsonaro nada tem a nos oferecer além de morte e prisão.

Com o agravamento da pandemia, somos o segundo país em número de mortes. Bolsonaro vem minimizando a tragédia de forma irresponsável e criminosa.

Diante deste quadro e entendendo a necessidade do fortalecimento das lutas populares em curso no mundo, como as grandes manifestações nos EUA, cujo centro das pautas é o racismo estrutural, apoiamos as diversas iniciativas de luta em curso.

Estamos em luta e em luto. Não vamos parar e muito menos sucumbir às vontades do Capital que se alimenta de nossa mão de obra.  O racismo é a força motriz por onde se alimenta e se nutre o capital. Não iremos parar, não iremos nos calar! Vamos incendiar a Casa-Grande que hoje está sentada na cadeira da presidência.

Faremos isso todos dias. Seja pela nossa intelectualidade, ocupando espaços acadêmicos, seja passando em concursos e até mesmo recorrendo a violência como forma de autoproteção!

  • Exigimos a manutenção da suspensão das operações policiais nas favelas;
  • Exigimos garantia dos EPIs e de medidas de segurança necessárias aos profissionais de Saúde e a todo e qualquer trabalhador durante a pandemia;
  • Exigimos as garantias de proteção do emprego aos trabalhadores e assistência financeira e de alimentação aos mais necessitados;
  • Exigimos políticas de reparação histórica ao povo negro;        
  • Exigimos a garantia da titulação dos territórios originários quilombolas e indígenas;
  • Pelo fim das invasões por parte dos grileiros em territórios quilombolas e indígenas;
  •  Exigimos suspensão do pagamento da dívida pública;
  • Exigimos o fim da guerra às drogas e da criminalização da pobreza.

Assinam o Manifesto: CEDINE, UNEGRO, CONDEDINE, COBRA, CEN, CEAP, CETRAB, APNES, GPSM, ETINICAS, RAIZES, MOVIMENTO QUILOMBO RAÇA E CLASSE, IBRAPEJ, CASA DE TIA CIATA, MNE, FMNRJ, RMNRJ, ASSOCIAÇÃO JUDAICA RJ, DANDARAS PARA SEMPRE, CMP, AMB, PDT AXÉ, MOVIMENTO NEGRO DO PDT.

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