Rio de Janeiro é a cidade do país com mais mortes por Covid-19 nos últimos 14 dias

Rio de Janeiro é a cidade do país com mais mortes por Covid-19 nos últimos 14 dias

A alta recente de óbitos de Covid-19 em todo o Brasil é fruto principalmente do grande número de mortes registradas nas cidades do Rio e de São Paulo. A capital fluminense lidera o triste ranking de municípios que mais confirmaram mortes por Covid-19 nas últimas duas semanas, com 565 mortes. Entre as vinte cidades que mais tiveram óbitos no país, outras duas ficam na Região Metropolitana do estado: Nova Iguaçu e São Gonçalo — esta última, implementou há um mês novas medidas de isolamento social. Com 514 mortes em 14 dias, São Paulo vem logo atrás do Rio. O levantamento, que se baseou em dados coletados até segunda-feira, foi feito pelo pesquisador Wesley Cota, da Universidade Federal de Viçosa.

Depois de Rio e São Paulo, aparecem entre as grandes capitais com alta taxa de óbitos, Distrito Federal e Porto Alegre. O consórcio de veículos de imprensa — formado por O GLOBO, Extra, G1, Folha de S.Paulo, UOL e O Estado de S. Paulo, que reúne informações das secretarias estaduais de Saúde — divulgou que o Brasil teve nesta terça-feira 900 mortes pelo novo coronavírus. Os dados mostram que 19 estados tiveram alta no total diário de óbitos. Mas São Paulo e Rio são o epicentro da Covid-19 no momento. Juntas, as cidades vizinhas somam 1.079 mortes em duas semanas, mais do que o total registrado nas 11 cidades que as seguem na lista de óbitos.

Atualmente, se considerado o estado do Rio como um todo, há três regiões classificadas como de “alto risco de transmissão” pelas autoridades estaduais de saúde. A “bandeira vermelha”, segundo os indicadores da Secretaria estadual de Saúde, indica a necessidade de adoção de medidas sanitárias mais rígidas, algumas das quais, atingiriam atividades econômicas, o que faz com que venham sendo adiadas. Mas a propagação do vírus, intensificada por aglomerações e transporte público lotado, já faz pressão sobre a oferta de leitos, sobretudo de UTIs.

Projeção é pessimista

Nesta terça, o estado do Rio registrou 147 mortes e 1.457 novos casos do novo coronavírus, totalizando 391.350 infectados e 23.887 vidas perdidas desde o início da pandemia, em março. Com isso, a média móvel passa a 2.371 casos (queda de 5% em relação a duas semanas), mas a de mortes chega a 88 por dia (aumento de 21% em relação a duas semanas). A alta, acima de 15%, indica um possível cenário de crescimento no contágio. Nesta terça-feira, o Imperial College de Londres, em sua publicação semanal sobre o quadro epidemiológico mundial, projeta que o Brasil terá, ao longo desta semana, 5.090 mortes pela doença, um salto de 617 óbitos em relação à semana passada, numa perspectiva moderada. No pior quadro estimado, a perda de vidas para Covid pode chegar a 5.620. Na última semana, a taxa de transmissão no país, calculada pela universidade britânica, ficou em 1,13.

A pressão por leitos é grande na capital do Rio. A taxa de ocupação de vagas exclusivas para Covid-19 na rede SUS do município é de 86% (609 internados) nas UTIs e de 80% nas enfermarias. Ao todo, são 1.458 pacientes. Há fila de 329 pessoas esperando por leitos, sendo 185 para vagas de terapia intensiva, casos mais graves. Olhando apenas as vagas disponibilizadas pela prefeitura em unidades próprias, há 96% de ocupação nos 288 leitos de UTI. O município alega que as pessoas à espera de leitos de terapia intensiva são assistidas em unidades da rede, com monitores e respiradores.

Em São Paulo, a média móvel de casos da Covid-19 cresceu 28% nos últimos 14 dias. Enquanto em 2 de dezembro estava em 4.994, ontem o número saltou para 6.375. Em relação ao número de óbitos, o percentual é um pouco menor, 17% de alta, mas, segundo o cientista de dados Wallace Casaca, a situação é preocupante. Passou de 122 em no início de dezembro para 143.

— Um índice de 17% já é muito ruim, e vai aumentar ainda mais. Sem dúvida, preocupa porque os dados de óbitos estão represados. Alguns municípios têm relatado que o sistema para cadastro de óbitos ainda está instável, o que impossibilita uma análise do quadro real de mortes pela doença — alerta Casaca, um dos criadores da Info Tracker, ferramenta da USP e da Unesp que monitora a pandemia.

O “fantasma” de julho

Nesta terça, a taxa de ocupação dos leitos de UTI chegaram a 65,8% na Grande São Paulo — um salto de quase vinte pontos percentuais comparado ao registrado há exato um mês, quando já havia uma tendência de aumento dos casos. Em todo o estado, a taxa de ocupação dos leitos está em 60,2%.

O estado atingiu 44.282 óbitos por Covid-19 e 1.341.428 casos da doença. Há 11.204 pessoas internadas, sendo 6.345 em UTIs e 4.859 em enfermarias.

Cota teme que o Brasil atinja novamente o triste recorde da média móvel de casos e mortes visto no fim de julho:

— Esse crescimento no Rio e São Paulo está sendo de uma maneira sustentável. E olhando para o Brasil inteiro, puxado por eles, é que chegamos a números parecidos com os do meio do ano.

Ele ainda destaca o chamado “fim da interiorização” da pandemia no Brasil. Na semana passada, a Fiocruz, em nota técnica, destacou a sincronização da epidemia e as dificuldades de atendimento nos hospitais, a fim de alertar que demanda por atendimento médico pode crescer, ao mesmo tempo, em várias partes do país. Segundo Cota, um dos exemplos é a cidade Cedro do Abaeté, que até domingo, era o único município que não tinha caso de Covid no país.

— Algumas cidades vão sentir ainda mais do que na primeira onda — conclui.

Fonte: O Globo

Leia também...

Deixe um comentário

Seu endereço de email não será publicado. Os campos obrigatórios estão marcados com *