Servidores do Instituto Benjamin Constant se mobilizam contra retorno presencial

Servidores do Instituto Benjamin Constant se mobilizam contra retorno presencial

Servidores públicos do Instituto Benjamin Constant estão em luta em defesa da vida e dos direitos da categoria. Mobilizados no processo de criação da seção sindical dos trabalhadores do Instituto, a categoria se organiza de forma ampla por uma bandeira mais imediata: barrar a ação, definida como “intempestiva e imprudente”, da direção da entidade que tenta instituir o retorno ao regime presencial.

Instituição centenária para a educação de deficientes visuais, o Instituto Benjamin Constant é também um centro de referência, a nível nacional, para questões da deficiência visual, capacitando profissionais e assessorando instituições públicas e privadas nessa área, além de reabilitar pessoas que perderam ou estão em processo de perda da visão. Ao longo dos anos, o IBC tornou-se também um centro de pesquisas médicas no campo da Oftalmologia, possuindo um dos programas de residência médica mais respeitados do País. Uma instituição histórica, fundada a partir da luta do adolescente José Álvares de Azevedo que, em 1850, decidiu iniciar uma verdadeira cruzada no Brasil em prol das pessoas que fadadas à exclusão social pelo fato de não enxergarem, tem agora nos seus trabalhadores a força da resistência em defesa da saúde e da vida não apenas dos servidores e servidoras, mas também dos estudantes e demais usuários dos serviços do Instituto.

O objetivo da mobilização dos servidores e servidoras é evitar o retorno presencial. A mobilização da categoria já obteve uma vitória parcial. O retorno, anteriormente marcado para a próxima semana, foi adiado para o começo de agosto em virtude de “atraso na entrega da obra da cozinha”. A luta contra o retorno une as diversas categorias profissionais que atuam no Instituto. Em entrevista ao Portal CTB-RJ, uma servidora, cujo nome será preservado pela nossa reportagem,  afirmou:

“A famílias dos alunos precisam saber que dadas as especificidades do momento de pandemia, nenhum benefício social será perdido se a família optar pela continuidade do ensino remoto. O retorno presencial não é uma volta à normalidade. Acredito, pela experiência que tive no contato com alguns alunos, que eles têm um pouco de ilusão com esse retorno presencial. Assim como no ensino remoto enfrentamos desafios, também enfrentaremos presencialmente. Isso precisa ficar claro para eles. A rotina das aulas será diferente. A convivência será diferente.” – afirmou.

Os Professores e Servidores lembram que o retorno gera expectativa de contato entre os estudantes, mas que ainda sim será necessário garantir políticas de distanciamento social. Em documento divulgado pela categoria, que circula em um abaixo-assinado virtual, os servidores criticam o “retorno escolar sem a garantia dos cuidados de biossegurança necessários e os esclarecimentos devidos aos servidores, estudantes, reabilitandos, pais e responsáveis e à sociedade em geral”. O documento também alerta que “o plano de imunização da comunidade escolar não está completo, tendo a maioria dos docentes, técnicos, reabilitandos, estudantes, pais e responsáveis, tomado apenas a primeira dose da vacina contra a COVID-19”.

Solidária à luta dos servidores e servidoras do IBC, a CTB Rio de Janeiro se colocou ao lado destes na luta contra o retorno presencial nesse momento. A Secretária de Saúde e Segurança no Trabalho da CTB Rio de Janeiro, Daniele Moretti, falou com nossa reportagem e declarou apoio à categoria:

“Estamos totalmente a favor dos trabalhadores em não retomar as aulas presenciais, pois não há como adotar a palavra “novo normal”, porquê estaríamos camuflando tudo que passamos e ainda estamos vivendo. Nada nunca mais será o mesmo pós-covid, muito menos a  educação. Pensamos que o retorno às aulas coloca em risco todos que estão nessa relação. São questões de mudanças na política institucional, mas bem como a funcionalidade do dia a dia de alunos, professores e todos que fazem parte dessa rotina. Nós enquanto defensores da Saúde, sabemos que a única forma de retomarmos as atividades será com todos vacinados. Até que chegue esse dia, não podemos admitir os múltiplos negacionismos que vemos por aí. A vacinação garante a Saúde e mais além, garante a vida! É em prol dessa bandeira que lutamos, para  preservação de todas as pessoas e todos os  trabalhadores e trabalhadoras do nosso país.” – afirmou a dirigente cetebista.

Os servidores organizaram um abaixo-assinado virtual contra o retorno presencial. A CTB Rio de Janeiro orientou sua base social pela assinatura e divulgação do mesmo. Para acessar o abaixo-assinado e ler a carta de contrariedade à retomada de atividades de ensino presencial no Instituto Benjamin Constant, clique AQUI.

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