- 26 de fevereiro de 2026
- Publicado por: Marcios Mauricio
- Categoria: Notícias CTB-RJ
Nesta semana de fevereiro de 2026, o cenário no Rio de Janeiro é de caos e desolação. Enquanto as nuvens carregadas desabam sobre o estado, a geografia da tragédia se repete: são os municípios da Baixada Fluminense, como Nova Iguaçu e São João de Meriti, e as periferias da capital que submergem primeiro. Para a CTB, o que vemos não é um desastre natural, mas o resultado de um projeto de negligência política que tem cor e classe social.
“Não aceitaremos que o trabalhador continue pagando com a vida e com seus poucos bens pela falta de planejamento de um Estado que ignora a ciência e a realidade das periferias.” declara Paulo Farias, presidente da CTB-RJ.
O Custo da Chuva para Quem Trabalha
Enquanto o asfalto das áreas nobres escoa a água com rapidez, nos bairros populares a realidade é outra. O trabalhador, que já enfrenta transportes precários, vê sua vida interrompida. Ônibus e trens param, e quem não consegue chegar ao serviço enfrenta o fantasma do desconto no salário ou da demissão.
Pior ainda é o retorno para casa. Famílias inteiras em Venda Velha ou no centro de Nova Iguaçu assistem, impotentes, à perda de bens conquistados com anos de suor. Geladeiras, camas e móveis — ferramentas de dignidade da classe trabalhadora — são destruídos pela lama. O prejuízo material é imediato, mas o trauma psicológico de perder tudo a cada verão é uma ferida que o Estado se recusa a curar.
Mudanças Climáticas e a “Fritura” no Rio
O estado vive hoje o auge do colapso climático. Passamos de semanas com temperaturas extremas e sensações térmicas que beiram os $50°C$ para temporais avassaladores em questão de horas. Esses eventos extremos, intensificados pelo aquecimento global, não são mais “exceções”. Eles são o novo normal. O Rio de Janeiro está sendo castigado por um clima que pune severamente quem não tem infraestrutura básica, áreas verdes ou sistemas de drenagem eficientes.
A Inércia do Governo e o Racismo Ambiental
A CTB denuncia veementemente a inércia de Cláudio Castro e todo o Governo do Estado do Rio de Janeiro. Onde estão os investimentos em macrodrenagem? Onde está o plano de adaptação climática que deveria proteger as encostas e os leitos dos rios da Baixada?
O que vemos é um governo que prefere agir no pós-tragédia, enviando maquinários para fotos oficiais, em vez de investir na prevenção que salvaria o patrimônio e a vida do povo pobre. Essa omissão tem nome: racismo ambiental. É a escolha deliberada de quais áreas receberão obras de infraestrutura e quais serão abandonadas à própria sorte.
A luta por justiça social passa, obrigatoriamente, pela luta por cidades resilientes e seguras. Exigimos que o Governo do Estado saia da paralisia e apresente soluções estruturais imediatas.