Truculência e ameaças no Acampamento Fidel Castro

Truculência e ameaças no Acampamento Fidel Castro

A luta pelo direito à terra, promovida pelos trabalhadores rurais da agricultura familiar do Acampamento Fidel Castro, em Silva Jardim, teve mais um capítulo dramático na última quinta-feira (6). Nessa data, os trabalhadores receberam no galpão do acampamento o vereador Binho da Agricultura (PTN) acompanhado de um membro da Prefeitura local e de representantes da força policial.

Os representantes do poder público, ao contrário do que se espera, não estavam ali para argumentar em favor do povo trabalhador, mas sim dos latifundiários que tentam usar do usucapião para expandir ainda mais seu latifúndio improdutivo. Falaram que a prefeitura não reconhece o terreno no local como área pública, tentaram convencer os trabalhadores rurais a não lutar pelos seus interesses e chegaram ao cúmulo de negar a constituição e fazer ameaças à lideranças sindicais.

“O vereador e o secretario estiveram aqui para conversar com os acampados, porém, chegando aqui só passavam informações sob o ponto de vista dos fazendeiros. Como não estava aqui e fui informado pelos trabalhadores disso, liguei hoje para o vereador que se alterou e me ameaçou dizendo que não aceita que ninguém venha de fora para contestar no município dele. Respondi que nós somos brasileiros e temos o direito de nos manifestar nos mais de 5 mil municípios brasileiros.” – afirmou Oto dos Santos, Presidente da FETAGRI-RJ e vice-presidente da CTB RJ.

O vereador se colocou na posição de defensor dos latifundiários e foi inclusive contra a Constituição Federal de 1988, inventando a regra de que o usucapião pode ser utilizado em qualquer tamanho de propriedade:

“O artigo 191 da Constituição Federal de 1988 é claro em dizer que não pode haver usucapião em propriedade com mais de 50 hectares. O Secretário e o Vereador alegaram que o uso capeao para qualquer tamanho de propriedade. Acredito que eles nunca leram a constituição.” – afirmou Oto

Os trabalhadores que resistem no acampamento relataram que foram intimidados pelo vereador e pelo representante da Prefeitura e que chegaram até mesmo a ameaçar os trabalhadores afirmando que os tirarariam daquele local, em um ato que atingiria não apenas aos moradores da região contestada judicialmente, mas atingindo todas as famílias do local.

A reintegração de posse está marcada para amanhã (8). Os trabalhadores passaram os dias retirando suas coisas e movendo suas famílias. A luta pelo direito a terra não acabará, no entanto, amanhã. A CTB e a Fetagri seguirão ao lado desses trabalhadores cobrando a função social da terra, enfrentando os latifundiários e na luta junto aos trabalhadores rurais da agricultura familiar.

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