MANIFESTO DO PATRÃO: A FALÁCIA DA “JORNADA FLEXÍVEL” QUE QUER ROUBAR O NOSSO TEMPO DE VIDA

Mais uma vez, os patrões mostram suas garras. Sob o pretexto hipócrita de modernidade e liberdade, associações empresariais lançaram um manifesto em apoio à PEC 12/2026, apelidada de “PEC do Trabalho Flexível”, mas que a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) batiza com o nome correto: a PEC do Patrão.

Com o nome “Uma Carta para o Brasil que Acorda Cedo”, a manifestação foi assinada por entidades como a CACB (Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil), CNA (Confederação Nacional da Agricultura), CNC (Confederação Nacional do Comércio), CNI (Confederação Nacional da Indústria), CNT (Confederação Nacional do Transporte) e a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). 

Essa proposta indecorosa surge na esteira do desespero do empresariado após a histórica aprovação do fim da escala 6×1 na Câmara dos Deputados. Para conter o avanço dos direitos da classe trabalhadora, a oposição no Senado e os grandes industriais articulam um retrocesso brutal disfarçado de “opção de escolha”.

Eles ignoram todos os dados e pesquisas feitas acerca do tema, que mostram um apoio massivo da população para a redução da jornada e todos os indicadores econômicos, que apontam benefícios. Além de tantos exemplos internacionais bem-sucedidos. 

Não se engane com a propaganda patronal. A PEC do Patrão abre uma brecha perigosa para a imposição de escalas desumanas, incluindo o horror de regimes análogos a uma escala 7×1, ao fragmentar a contratação por horas. Além disso:

  • Não reduz a jornada de trabalho: Mantém o limite de 44 horas semanais e 8 diárias para o trabalhador comum.
  • Reduz o valor dos salários e benefícios: Sob o pretexto da “proporcionalidade”, o trabalhador que tiver suas horas cortadas receberá menos que um salário-mínimo. O mesmo vale para o FGTS, férias, 13º salário e o terço constitucional, esvaziando a renda das famílias brasileiras e empurrando o povo para a extrema precariedade.
  • Destrói a atuação sindical: Visa aniquilar as convenções coletivas e impor a desastrosa “livre negociação individual” entre patrão e empregado.

No manifesto lançado pelas entidades empresariais, eles trazem uma história idealizada para ilustrar a vida dos trabalhadores. Falam de mães que precisam cuidar de filhos ou jovens que precisam estudar, como se a flexibilidade patronal fosse um ato de caridade. É uma tentativa nojenta de romantizar a relação entre patrão e empregado.

Eles ignoram deliberadamente que o trabalhador, muitas vezes, não tem escolha. Quem está desempregado ou passando fome não “escolhe” flexibilidade; submete-se ao que lhe é imposto para sobreviver. As forças entre o grande capital e o trabalhador não são correlatas. E é exatamente por isso que o alvo principal da PEC são os sindicatos. Eles querem tirar de cena justamente quem tem a força organizativa para debater de igual para igual contra as arbitrariedades do patrão. Querem isolar o trabalhador para esmagar sua capacidade de resistência.

A CTB segue firme na luta!

O que os patrões querem, no fim das contas, é o controle absoluto sobre o nosso tempo de vida e retirar direitos. Querem nos transformar em mercadorias descartáveis, acionadas por hora sob o seu total comando, roubando-nos o direito ao descanso, ao lazer, à família e à dignidade.

A CTB reafirma que não aceitará nenhum passo atrás. Seguimos, nas ruas e no Senado, firmes na mobilização nacional contra a PEC 12/2026 e na luta intransigente pela redução real da jornada sem redução salarial e pelo fim definitivo da escala 6×1. 

Convocamos a toda a nossa base para que a pressão continue, em cada estado, cada sindicato e cada trabalhador. A pressão sobre os senadores deve continuar, até que eles entendam o recado que vem das ruas e de cada chão de fábrica.

Contra a malandragem dos patrões que só pensam no lucro e ignoram a vida humana, nossa resposta será a resistência organizada e a unidade da classe trabalhadora nas ruas e no Congresso!

NÃO À PEC DO PATRÃO! PELA REDUÇÃO DA JORNADA SEM REDUÇÃO DE SALÁRIO! VIVA A CLASSE TRABALHADORA!

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