- 9 de março de 2026
- Publicado por: Marcios Mauricio
- Categorias: Mulheres, Notícias CTB-RJ
Neste 08 de março, as areias da Praia de Copacabana foram palco de um grito por liberdade e sobrevivência. A Diretoria de Mulheres da CTB/RJ convocou a todas as trabalhadoras para o ato unificado que exigiu o fim do extermínio de mulheres e a revogação da escala 6×1, que aprisiona e adoece a classe trabalhadora feminina.
Sob o lema “Parem de Nos Matar!”, a mobilização deste ano denunciou o agravamento alarmante da violência de gênero. O Brasil encerrou o ano de 2025 com o triste recorde histórico de 1.518 feminicídios, consolidando uma escalada de ódio que já atinge a média de quatro mulheres assassinadas por dia.
“A violência não escolhe profissão, mas a negligência do Estado e a cultura machista atingem em cheio as mulheres que movem a economia. No último período, casos brutais chocaram o país e serão lembrados em nossa caminhada”, declarou Katia Branco, diretoria da Secretaria da Mulher da CTB.
Os casos são alarmantes. E temos alguns exemplos:
A Agente de Saúde: Vanusa dos Santos, 43 anos, morta a tiros pelo marido em fevereiro de 2025. Uma trabalhadora dedicada à vida dos outros, que não teve sua própria vida protegida.
A Policial em SP: Gisele, encontrada morta em um contexto de relacionamento conturbado e violência psicológica extrema, onde era impedida até de usar batom antes de ser vítima da letalidade doméstica.
Corretora de Imóveis: Daiane Alves, que desapareceu e foi encontrada morta após perseguir processos judiciais contra o síndico de um prédio por perseguição e sabotagem.
Escala 6×1: A Outra Face da Violência
Para a CTB, o fim da Escala 6×1 é uma pauta feminista central. Dados recentes de 2025 apontam que essa jornada — seis dias de trabalho para apenas um de folga — intensifica de forma aguda os riscos de ansiedade, depressão e fadiga crônica em mulheres.
Como as mulheres ainda carregam a maior parte das tarefas domésticas, a escala 6×1 atua como um mecanismo de exclusão social. Sem tempo para descanso, estudo ou convivência familiar, a trabalhadora fica mais vulnerável à dependência econômica e ao isolamento, fatores que muitas vezes a impedem de romper ciclos de violência doméstica.
“Não haverá paz enquanto o corpo da mulher for visto como território de conquista ou objeto de exploração laboral”, afirma Debora Henrique, diretoria da Secretaria de Mulheres da CTB-RJ.
A Central está na linha de frente para exigir políticas públicas reais, o cumprimento da Lei de Igualdade Salarial e o direito de viver sem medo.
Parem de nos matar! Fim da escala 6×1 e por igualdade no trabalho!
LEIA O MANIFESTO ‘“Parem de Nos Matar!”‘