Acordo Mercosul-UE: Uma Alternativa Contra a Guerra Comercial e pela Afirmação da Soberania

Por Secretaria de Relações Internacionais – CTB

Em um cenário global marcado pela guerra comercial e pelas posturas agressivas dos Estados Unidos, cabe ao Brasil e ao Mercosul lutar pela integração econômica e pela defesa da soberania dos países da região. Os termos do acordo Mercosul-União Europeia, neste início de 2026, podem representar um movimento alternativo estratégico para preservar a autonomia nacional.

“Na condição de país periférico, o Brasil historicamente manteve dependência das políticas ditadas por Washington. A CTB sempre defendeu que um projeto nacional de desenvolvimento, com valorização do trabalho, tem como premissa essencial garantir a soberania do país. Com as permanentes ameaças de ‘tarifaços’ americanos contra as exportações brasileiras, a abertura do mercado europeu — desde que preserve nossos interesses — pode ser um contraponto importante para o Brasil e para os demais países do Mercosul”, afirmou Carlos Muller, diretor da Secretaria de Relações Internacionais da CTB.

Pela dimensão de sua economia, o Brasil precisa diversificar e melhorar a qualidade de suas exportações, incorporando produtos industriais de alto valor agregado à pauta, e não apenas commodities agrícolas e minerais. A reindustrialização do país é a garantia para a geração de empregos de qualidade e com melhores salários para a classe trabalhadora.

O Papel dos BRICS e o Brasil

Ao lado do acordo Mercosul-União Europeia, adquire protagonismo crescente a nossa posição dentro dos BRICS. O Brasil pode desempenhar um papel fundamental neste século XXI, criando, inclusive, condições para a construção de um padrão monetário alternativo ao dólar. O Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) pode ser uma âncora essencial neste processo.

Na defesa de sua soberania, o Brasil precisa de autonomia para escolher seu próprio caminho de desenvolvimento, sem abrir mão de avançar nos nichos mais modernos da economia, que requerem alto desenvolvimento científico e tecnológico. Ao se articular simultaneamente com os BRICS e com a União Europeia, o Brasil posiciona-se melhor para obter ganhos econômicos, avançar na justiça social e estabelecer cláusulas que assegurem o respeito aos direitos trabalhistas e à preservação ambiental.

O movimento sindical de orientação classista, representado pela CTB, estará atento para que as cláusulas do acordo Mercosul-UE não aprofundem as assimetrias entre as economias do nosso continente e a Europa. Paralelamente, a central defenderá a reindustrialização progressiva e o fortalecimento da “Nova Indústria Brasil”, fomentando a criação de empregos qualificados e garantindo a transferência de tecnologia. O Brasil precisa reverter o processo de reprimarização da economia; queremos que a parceria com os europeus ajude a financiar a nossa reindustrialização verde.

Neste momento de incertezas globais, o país exige uma diplomacia altiva e ativa. O acordo Mercosul-UE, somado à liderança nos BRICS, pode colocar o trabalhador brasileiro em uma posição mais vantajosa. É tempo de produzir para o mundo, mantendo a soberania e o desenvolvimento econômico democrático. Essas são as bandeiras que a CTB coloca no topo de sua agenda.

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