- 2 de setembro de 2026
- Publicado por: Marcios Mauricio
- Categoria: Notícias CTB-RJ
Neste domingo (30/08), a CTB-RJ e o Sindicato dos Comerciários foram para a rua e denunciaram o fechamento de quase 300 lojas das Casas Bahia. A intervenção, que ocorreu na praia de Copacabana, em meio aos atos do Dia Nacional de Mobilização contra a escala 6×1, escancarou para a sociedade uma realidade amarga: o fechamento de quase 300 lojas físicas e o descarte sumário de milhares de trabalhadores.
Mais do que um protesto por direitos trabalhistas, o ato teve um caráter profundo de conscientização social. É preciso rasgar o véu das desculpas corporativas e encarar a verdade que os patrões tentam esconder.
A Farsa da “Crise” e a Mudança Inevitável de Consumo
O discurso empresarial tenta colocar a culpa no governo ou em uma suposta “economia quebrada”. Mas a realidade é outra. O que vivemos é uma transformação profunda no perfil de consumo no Brasil, com a migração em massa das compras presenciais para o e-commerce, que é um setor que já fatura mais de R$ 208 bilhões no país e cresce dois dígitos a cada ano.
A tecnologia avança, o comportamento da sociedade muda, mas a pergunta central que precisa ser feita é: se o modo de consumir está mudando, o que será feito dos empregos e das pessoas?
“A quebra e o fechamento das lojas físicas não aconteceram por causa do governo ou da economia, como alegam os patrões, mas sim por uma mudança de comportamento de consumo em todo o país. Precisamos expor essa verdade à população. Estamos falando sobre mudanças com responsabilidade. Existem vidas, histórias e famílias inteiras dependendo desses empregos, e a transição não pode ser feita às custas do abandono do trabalhador”, alerta Ana Paula Brito, diretora de comunicação da CTB-RJ.
Responsabilidade Social Não Pode Ser Apenas Discurso Vazio
Por décadas, o Grupo Casas Bahia lucrou bilhões graças ao suor, ao atendimento e à dedicação diária de seus comerciários. No entanto, ao optar por enxugar a operação física para inflar a lucratividade digital, a empresa simplesmente rompeu vínculos e virou as costas para quem construiu sua história.
O encerramento de centenas de pontos de venda gera um impacto social devastador. Não é apenas o desemprego imediato: é a perda da dignidade e da subsistência de famílias inteiras. Faltou humanidade e responsabilidade corporativa. Se as empresas decidem mudar suas estratégias de negócio, elas têm a obrigação legal e moral de garantir uma transição justa, seja com indenizações dignas, planos de saúde mantidos ou programas reais de requalificação e recolocação.
Sem o cumprimento dessas obrigações, qualquer discurso sobre “inovação” ou “responsabilidade social” não passa de retórica vazia para mascarar a ganância.
Uma Onda que Atinge Toda a Sociedade
O que o consumidor vê hoje nas vitrines lacradas do comércio de rua é apenas a ponta do iceberg de um fenômeno que afeta diversos setores da economia e os dois mais afetados até o momento são:
- Bancos: O encerramento de cerca de 37% das agências bancárias físicas na última década forçou a população a usar aplicativos e resultou no corte de milhares de bancários.
- Serviços Essenciais: Concessionárias de água, luz e gás fecham postos de atendimento presencial, empurrando o cidadão para robôs de atendimento e enxugando postos de trabalho.
O avanço tecnológico e o desenvolvimento são inevitáveis, mas a tecnologia deve servir para melhorar a vida humana, e não para gerar exclusão, miséria e desemprego.
O Papel de Cada Um de Nós
Superar esse desafio exige cobrança firme e integrada:
- Dos Patrões: A exigência de responsabilidade social, respeito às leis trabalhistas e garantia de uma transição digna para os afetados.
- Do Poder Público: A criação de uma rede de proteção social robusta, políticas públicas de requalificação profissional e regulação sobre as demissões decorrentes da automação.
- Da Sociedade: A conscientização de que por trás de cada tela de celular, de cada loja fechada e de cada compra online, existem seres humanos que não podem ser descartados.
A CTB e seus sindicatos seguem firmes na linha de frente: em defesa dos direitos, da dignidade e do futuro da classe trabalhadora!