O que a luta pelo fim da escala 6×1 e o PL da Misoginia têm em comum? É dignidade e vida para as mulheres trabalhadoras brasileiras.

A luta por direitos trabalhistas e a defesa da vida das mulheres caminham lado a lado na agenda de mobilizações da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil. Nos próximos dias, a central intensifica a pressão sobre as lideranças do Congresso Nacional para destravar duas pautas urgentes que impactam diretamente o cotidiano da população: o fim da escala 6×1 (PEC 221/2019), que está travado no Senado e a aprovação do PL da Misoginia (PL 896/2023), que está na Câmara.

“A escala 6×1 é um massacre cotidiano que rouba o tempo, a saúde e o direito ao descanso de toda a classe trabalhadora, mas ela é ainda mais cruel com as mulheres, que saem do emprego e entram na jornada invisível do cuidado e do trabalho doméstico. Como se não bastasse a exaustão física, convivemos diariamente com o medo e a violência sistêmica. A aprovação do PL da Misoginia é o escudo que precisamos para punir o ódio de gênero, e o fim da escala abusiva é o tempo necessário para que possamos respirar. Exigimos que o deputado Hugo Motta paute o PL 896 antes do recesso. Nossa dignidade e nossas vidas não podem ser usadas como moeda de troca política”, destacou Katia Branco, Secretária da Mulher Trabalhadora da CTB.

A CTB-RJ unifica o discurso e mostra que a exploração no mercado de trabalho e a violência de gênero operam como engrenagens que massacram, sobretudo, as trabalhadoras brasileiras. Com as matérias travadas pelas presidências das duas Casas legislativas, a ordem é massificar a cobrança nas ruas e nas redes.

O travamento dessas pautas reflete a falta de compromisso do parlamento com quem de fato produz a riqueza do país.

“Não dá mais para aceitar que o Senado e a Câmara funcionem de costas para o povo. Enquanto o senador Davi Alcolumbre senta em cima da PEC 221 sob a desculpa de ‘maturidade’, o trabalhador adoece em uma jornada exaustiva de seis dias por um de descanso. O fim da escala 6×1 e a proteção às mulheres não são pautas isoladas; são o pilar central para garantir que a nossa classe tenha o direito básico de viver com saúde e segurança. A CTB-RJ vai cobrar cada parlamentar e exigir que Alcolumbre e Hugo Motta pautem esses projetos imediatamente”, cobrou o presidente da CTB-RJ, Paulo Farias.

A urgência ganha contornos ainda mais graves quando analisada a realidade das mulheres, que acumulam as maiores taxas de postos de trabalho precários e ainda enfrentam a dupla ou tripla jornada, além do crescimento alarmante dos crimes de ódio. aponta que a aprovação do PL da Misoginia e a redução da jornada de trabalho são complementares na emancipação feminina.

A CTB-RJ convoca os sindicatos filiados, os movimentos sociais e a base trabalhadora para as próximas assembleias e atos públicos, unificando os clamores por tempo para viver e segurança para caminhar.

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