EDITORIAL | Abril Verde: Dignidade não se Negocia

Por Dani Moretti Secretária de Saúde da Trabalhadora e do Trabalhador da CTB Nacional
O mês de abril nos convoca a uma reflexão profunda sobre o que significa “ter saúde” em
um país de dimensões continentais e desigualdades latentes como o Brasil. Hoje, dia 7 de
abril, celebramos o Dia Mundial da Saúde e, ao longo de todo o mês, tingimos nossas
bandeiras de Verde em memória das vítimas de acidentes e doenças do trabalho. Mas, para
a CTB, este não é um mês apenas de luto ou celebração protocolar: é um mês de luta
política.

É impossível desassociar a saúde do trabalhador da defesa do Sistema Único de Saúde
(SUS). O SUS é, talvez, a maior conquista civilizatória do povo brasileiro. Ele é o garantidor
da equidade, assegurando que o operário, a trabalhadora doméstica e o servidor público

tenham acesso ao mesmo patamar de cuidado, da prevenção à alta complexidade.
Defender o SUS contra a sanha privatista é defender a própria existência da classe
trabalhadora. Sem um sistema público forte, a saúde vira mercadoria, e quem não pode
pagar é descartado pela lógica do lucro.

Neste ano, a nossa jornada pelo Abril Verde traz uma urgência: o fim da escala 6×1. Essa
jornada é um vetor de adoecimento em massa, e essa é a realidade. Não há saúde possível
quando o trabalhador vive em um ciclo ininterrupto de exaustão, onde o único dia de folga é
gasto apenas na recuperação física mínima para suportar a semana seguinte.
A ciência e o dia a dia nos sindicatos provam: a privação do lazer, do convívio familiar e do
descanso mental é o combustível para a epidemia de ansiedade e depressão que vemos
hoje. A redução da jornada sem redução salarial não é apenas uma pauta econômica; é
uma intervenção sanitária necessária.

Ainda nesse contexto e aliada a essa luta, temos o desafio técnico e político da
implementação da NR1. O Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) previsto na
norma deve sair do papel e das gavetas dos RHs para se tornar prática cotidiana. A saúde
não pode ser reativa; ela deve ser preventiva. Exigir que as empresas identifiquem e
mitiguem riscos (sejam eles ergonômicos, químicos ou psicossociais) é o que diferencia um
posto de trabalho digno de uma armadilha para o corpo humano.

A saúde da trabalhadora e do trabalhador é a mola propulsora da nação. Não podemos
aceitar que o progresso do Brasil seja construído sobre o esgotamento das nossas vidas.
Neste Abril Verde e, na semana do Dia Mundial da Saúde, reafirmamos: nossa prioridade é
a vida.

Seguiremos em marcha por um SUS 100% público, pela implementação rigorosa das
normas de segurança e pelo fim de escalas de trabalho desumanas. Porque quem trabalha
tem o direito de voltar para casa com saúde, dignidade e tempo para viver.

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