- 26 de março de 2026
- Publicado por: Marcios Mauricio
- Categorias: Mulheres, Notícias CTB Nacional, Notícias CTB-RJ
Por Kátia Branco Diretora Executiva da Secretaria da Mulher Trabalhadora da CTB Nacional e Vice-presidente da CTB-RJ
O mês de março é, historicamente, um período de reflexão e balanço para nós, mulheres trabalhadoras. Mas, acima de tudo, é um mês de ação. Na CTB, entendemos que o 8 de Março não é uma data de celebrações vazias, mas um marco de resistência. Ao longo deste mês, nossa Central intensificou mobilizações em todo o país, reafirmando que a luta por igualdade salarial e o combate ao assédio caminham lado a lado com o direito mais básico de todos: o direito à vida.
A nossa jornada começou logo no dia 02/03, quando a CTB participou do Fórum Nacional de Mulheres Trabalhadoras das Centrais Sindicais, realizando a abertura do “Março Mulher” com uma grande panfletagem na Estação Brás, em São Paulo, dialogando diretamente com a classe trabalhadora desde as primeiras horas da manhã.
O 8M: Um Grito Uníssono de Norte a Sul: No dia 08/03, a CTB ocupou as ruas de todo o Brasil. No Rio de Janeiro, nossa voz ecoou forte nas areias de Copacabana durante o ato unificado. Quem passou pela orla deparou-se com a instalação “Parem de Nos Matar”: centenas de cruzes fincadas na areia, um símbolo silencioso da barbárie do feminicídio que escala no país.
Essa indignação se repetiu em cada canto: em São Paulo, na Avenida Paulista; na Bahia, no Farol da Barra; no Ceará e no Rio Grande do Sul, onde Porto Alegre alertou para os 20 feminicídios registrados apenas nestes primeiros meses de 2026. Aqui no Rio, meu estado, os dados também são um alerta vermelho. O aumento nos casos demonstra como o machismo e o racismo operam juntos na nossa desigualdade, vitimando majoritariamente mulheres negras e periféricas.
Vitórias que Fortalecem a Nossa Caminhada: Mas a nossa pressão nas ruas gera resultados institucionais. Este março termina com conquistas fundamentais que transformam o luto em luta:
-
Proteção Imediata: A aprovação do PL 2.942/2024 torna regra o uso imediato de tornozeleira eletrônica para agressores em casos de alto risco, permitindo que delegados apliquem a medida onde não houver juiz disponível.
-
Fim da Impunidade: O Senado aprovou a criminalização da misoginia (PL 896/2023), equiparando o ódio às mulheres ao crime de racismo — inafiançável e imprescritível.
-
Autonomia e Ciência: Avançamos com a Agenda Nacional do Ministério das Mulheres focada na autonomia econômica e igualdade salarial, além de reafirmarmos a presença feminina na ciência e em espaços internacionais como a ONU.
A Luta é de Todos Combater essa violência não é uma tarefa exclusiva das mulheres. Como destaca a campanha do Governo Federal, é hora dos homens tomarem a frente dessa luta. Não basta não agredir; é preciso confrontar o preconceito e romper com o silêncio que protege o agressor.
A Secretaria da Mulher Trabalhadora da CTB e a CTB-RJ seguem vigilantes. Nossa luta é nos sindicatos, nos locais de trabalho e nas ruas. O mês de março ainda não acabou, mas o recado já foi dado: não daremos um passo atrás. Precisamos ocupar espaços de decisão, pois só onde há mulheres, as pautas das mulheres avançam.
Seguimos em marcha, pela vida de todas as mulheres!