Nota de Repúdio: A Vida do Trabalhador Não Pode Esperar

A CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) manifesta seu mais profundo repúdio à sinalização do Ministério do Trabalho e Emprego de recuar ou adiar a entrada em vigor da atualização da NR-1, prevista para 26 de maio. A inclusão da gestão de riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) não é um detalhe burocrático, mas uma medida urgente de preservação da vida.

“Repudiamos veementemente qualquer tentativa de adiamento do dispositivo. Entendemos que a proposta é um retrocesso na política nacional de saúde e segurança do trabalho, ainda mais diante do crescimento do adoecimento mental e físico da classe trabalhadora, diretamente ligado a jornadas exaustivas e pressão psicológica permanente”, declara Dani Moretti, Secretária de Saúde do Trabalhador da CTB.

Aceitar que o setor empresarial dite o ritmo da proteção à saúde mental, sob a justificativa de “necessidade de relatórios”, é ignorar a epidemia de adoecimento que assola os canteiros, escritórios e fábricas do país. Adiar essa norma é, na prática, validar ambientes laborais marcados pelo assédio moral, pela sobrecarga desumana e por metas abusivas que corroem a integridade física e psíquica da classe trabalhadora.

Por que a NR-1 é Inegociável?

Os riscos psicossociais são reais, mensuráveis e devastadores. O impacto de protelar o item 1.5 da NR-1 reflete em:

  • Impacto Social e Familiar: O afastamento do trabalho gera um ciclo de miséria e desestruturação familiar que sobrecarrega o sistema público de saúde e a previdência.
  • Trabalho Mortal: A negligência com o fator psicológico é o primeiro passo para acidentes fatais e o suicídio relacionado ao trabalho.
  • Afronta aos Direitos Humanos: Recém-saídos da Conferência Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora, onde a saúde foi reafirmada como direito humano fundamental, qualquer recuo do governo soa como um desrespeito às deliberações populares.

Escala 6×1 e a Dignidade

A CTB reforça que a discussão sobre o fim da escala 6×1 e a redução da jornada para, no mínimo, 40 horas semanais (com duas folgas) é indissociável da saúde mental. Não há “gestão de risco” eficiente enquanto o trabalhador estiver exaurido por um modelo de exploração que impede o descanso e o convívio social.

Não aceitaremos que a dignidade seja colocada em segundo plano em nome da conveniência empresarial. Se protelar significa adiar a proteção da vida, a CTB estará nas ruas e nos fóruns de debate para garantir que nenhum trabalhador seja deixado à mercê de ambientes mortais.

Saúde mental é direito! A NR-1 é para já!

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